Morre lentamente quem não viaja, quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor próprio,
quem não se deixa ajudar,
morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente os que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços sentimentos.
Morre lentamente, quem não vira a mesa quando está infeliz com seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida a fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou d chuva incessante...
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio pleno de felicidade.
Plabo Neruda
2 de julho de 2012
14 de junho de 2012
Origem do termo "forró"
O forró, baile animado em que se dança ao som de ritmos nordestinos, é a redução do vocábulo forrobodó, que Câmara Cascudo define no seu Dicionário do Folclore Brasileiro como uma festa popular, com música movimentada. O processo é o mesmo que produziu formas como japa (de japonês), refri (de refrigerante) ou pornô (de pornográfico). Contudo, há uma versão popular de que o nome teria vindo da leitura estropiada da expressão inglesa for all, com que os engenheiros ferroviários ingleses da Great Western (ou os oficiais da base área americana de Natal, noutra versão) avisavam os operários de que a festa era aberta para todos. Linguisticamente a hipótese é tola; além disso, o forrobodó já existia no Brasil Colonial, muito antes da presença de ingleses ou americanos por aqui.
fonte : sualíngua.com.br
fonte : sualíngua.com.br
ProfundamentePor Manuel Bandeira
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Texto extraído do livro "Antologia Poética - Manuel Bandeira", Editora Nova Fronteira – Rio de Janeiro, 2001, pág. 81.
11 de junho de 2012
Aos namorados do Brasil !!
Dai-me, Senhor, assistência técnica
para eu falar aos namorados do Brasil.
Será que namorado escuta alguém?
Adianta falar aos namorados?
E será que tenho coisas a dizer-lhes
que eles não saibam, eles que transformam
a sabedoria universal em divino esquecimento?
Adianta-lhes, Senhor, saber alguma coisa,
quando perdem os olhos
para toda a paisagem,
perdem os ouvidos
para toda melodia
e só veem, só escutam
melodia e paisagem de sua própria fabricação?
Cegos, surdos, mudos - felizes! -
são os namorados enquanto namorados.Antes, depois
são gente como a gente, no pedestre dia-a-dia.
***
O tempo, afiando sem pausa a sua foice,
espera que o namorado desnamore
para sempre.
Mas nascem todo dia namorados
novos, renovados, inovantes,
e ninguém ganha ou perde esta batalha.
Pois namorar é destino dos humanos,
destino que regula
nossa dor, nossa doação, nosso inferno gozoso.
E quem vive, atenção:
cumpra sua obrigação de namorar,
sob pena de viver apenas de aparência.
De ser seu cadáver itinerante.
* * *
O problema, Senhor, é como aprender,
como exercer
a arte de namorar, que audiovisual nenhum ensina,
e vai além da Universidade.
Quem aprendeu não ensina. Quem ensina , não sabe,
E o namorado só aprende, sem sentir que aprendeu,
por obra e graça de sua namorada.
* * *
A mulher antes e depois da bíblia
é pois enciclopédia natural
ciência infusa, inconsciente, infença a testes,
Há que aprender com as mulheres
as finezas finíssimas do namoro.
O homem nasce ignorante, vive ignorante,
às vezes morre três vezes ignorante de seu coração
Só a mulher ( como explicar?)
entende certas coisas.
* * *
Há homens que se cansam depressa de namorar,
outros que são infiéis à namorada.
Pobre de quem não aprendeu direito,
ai de quem nunca estará maduro para aprender,
triste de quem não merecia, não merece namorar.
Carlos Drummond de Andrade
para eu falar aos namorados do Brasil.
Será que namorado escuta alguém?
Adianta falar aos namorados?
E será que tenho coisas a dizer-lhes
que eles não saibam, eles que transformam
a sabedoria universal em divino esquecimento?
Adianta-lhes, Senhor, saber alguma coisa,
quando perdem os olhos
para toda a paisagem,
perdem os ouvidos
para toda melodia
e só veem, só escutam
melodia e paisagem de sua própria fabricação?
Cegos, surdos, mudos - felizes! -
são os namorados enquanto namorados.Antes, depois
são gente como a gente, no pedestre dia-a-dia.
***
O tempo, afiando sem pausa a sua foice,
espera que o namorado desnamore
para sempre.
Mas nascem todo dia namorados
novos, renovados, inovantes,
e ninguém ganha ou perde esta batalha.
Pois namorar é destino dos humanos,
destino que regula
nossa dor, nossa doação, nosso inferno gozoso.
E quem vive, atenção:
cumpra sua obrigação de namorar,
sob pena de viver apenas de aparência.
De ser seu cadáver itinerante.
* * *
O problema, Senhor, é como aprender,
como exercer
a arte de namorar, que audiovisual nenhum ensina,
e vai além da Universidade.
Quem aprendeu não ensina. Quem ensina , não sabe,
E o namorado só aprende, sem sentir que aprendeu,
por obra e graça de sua namorada.
* * *
A mulher antes e depois da bíblia
é pois enciclopédia natural
ciência infusa, inconsciente, infença a testes,
Há que aprender com as mulheres
as finezas finíssimas do namoro.
O homem nasce ignorante, vive ignorante,
às vezes morre três vezes ignorante de seu coração
Só a mulher ( como explicar?)
entende certas coisas.
* * *
Há homens que se cansam depressa de namorar,
outros que são infiéis à namorada.
Pobre de quem não aprendeu direito,
ai de quem nunca estará maduro para aprender,
triste de quem não merecia, não merece namorar.
Carlos Drummond de Andrade
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